O Entrevistas Fictícias lamenta a morte de Dom Nortadas de Albuquerque e endereça as suas mais sinceras condolências à sua família (procurámos amigos que não fossem da família, mas não encontrámos).
Dom Nortadas, ficará para a história como o maior inspirador deste jornal, e o criador dos dois mais importantes marcos da retórica do reino. Referimo-nos a "acho muito engraçado..." e "já estão a transformar isto num circo".
Sempre que alguém repetir estas frases saberemos que o espírito de Dom Nortadas está entre nós.




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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Até que a morte nos separe...

Sempre atento às necessidades do reino (assim estilo sanitário psicológico), o Entrevistas Fictícias traz finalmente a mais desejada das entrevistas. Antes que a morte o leve e os festejos comecem, leiam aqui as mais importantes declarações de sempre de Dom Nortadas I (ou II... ou III), Rei de Portugal.


Entrevistador - É uma honra termos connosco Sua Majestade Dom Nortadas Eduardo de Albuquerque, rei de Portugal, que acedeu conceder-nos uma entrevista...

Nortadas - Olhe senhor entrevistador, antes de mais mostre-me onde está o Regimento desde Jornal!

E - Regimento?

N - Não me diga que este jornal não tem regras aprovadas! É inconstitucional, ouviu? Inconstitucional! Quer ver que tenho que emitir um édito a criar um Entrevistas Fictícias de iniciativa régia, e nomear o Monsterguid como director?

E - Por quem sois, Vossa Majestade? O nosso jornal sempre vos tratou bem, fomos até os primeiros chamar-vos rei, ainda nem as eleições haviam sido previstas.

N [tirando a coroa] - Não ouço nada, eu sem coroa não ouço nada e pronto. Fale homem, fale o que quiser, e eu faço de conta que você é o Abraz. la, la, la, la, la...

E - Mas Vossa Majestade, assim como fazemos esta entrevista que o vai imortalizar?

N [colocando de novo a coroa na cabeça] - Pronto, assim já ouço de novo. Qual era a pergunta? Querias-me beijar a mão, não é?

E - Mmmm, não era bem isso...

N - Ah não queres beijar-me a mão? És como o Marquês que não se curva? Tenho que te revogar é?

E - Mas Majestade eu nem sequer sou nobre...

N [gritando para trás de si] - Ambróooooosio, anota aí: Criar o beija-mão dos plebeus. Ou melhor o beija-pé que sabe-se lá onde é que os plebeus andam com a boca.

E - Majestade, agora que o seu reinado está a chegar ao fim...

N [enfurecido] - A chegar ao quê? Olha que te atiço o cão. Vai-te a ele, vai!

[um pincher minúsculo com uma batina vestida, que dormia por terra, rosna ameaçadoramente]

E - Ora Vossa Majestade, segure lá o cão, não foi por mal.

N [para o cão] - Pronto Syl, deixa o senhor em paz. [e para o jornalista] Coitado, encontrei-o à porta do ERP, tinham-no tratado mal, mandei logo fazer uma auditoria aquilo.

E - E sobre o fim do seu reinado?

N - Não acredite em nada do que se diz, a menos que tenha o meu selo régio. Até eu desconfio das minhas próprias palavras, até ver o selo régio no fim. Só quando vejo o selo é que descanso.

E - É que se diz que a morte anda aí.

N - Anda? Só se vier nalgum grupo de castelhanos, desses que invadem o reino dia sim dia não. De resto não a deixaremos entrar.

E - Então simplificando, pergunto-lhe qual o momento mais importante do seu reinado até ao momento.

N - Shhhh homem! Não falemos dessas coisas em público, não sabe que os castelhanos andam aí?

E [olha em volta a ver se vê alguém estranho]

N [baixinho] - Nuestros hermanos preparam uma invasão secreta!

E - Mas para quando? Não é melhor avisar o reino?

N - Se avisássemos deixava de ser secreta. Qual era a piada depois? Para que raio seria eu rei se depois todos sabem das crises. Só o rei as deve saber, nem que tenha que as inventar.

E - vejo o seu ponto, mas...

N - Mas nada. Olhe que tiro a coroa e você fica a falar sozinho!

E - Por quem sois Vossa Majestade? Falemos então sobre a dívida pública dos Condados, tem alguma coisa a dizer?

N - Tenho, mas não digo. Os castelhanos podiam ouvir. Mas vou criar um Conselho para pensar nisso.

E - Isso dos castelhanos já parece uma desculpa esfarrapada para tudo.

N [tirando a coroa] - Não ouço nada!

E - Pronto Vossa Majestade, ponha lá a coroa, que eu mudo de assunto. Diz-se que Vossa Majestade cria muitos Conselhos que ninguém sabe para que servem.

N - Servem para apaziguar os críticos. Quem me critica, pimba, passa a Conselheiro Real. Nunca mais se queixam.

E - E há espaço para tanta gente?

N - Porque pensa que mandei fazer um Palácio Real novo? 272 das salas são para Conselhos. Ainda só tenho 121 ocupadas, há espaço sim. Ainda sobram mais de 100 para os beija-mão privados.

E - E vossa Majestade consegue ouvir o que todos os Conselheiros dizem?

N - Só ouço quando tenho a coroa na cabeça. Mas raramente a levo para os Conselhos. Falando nisso, deixe-me tomar uma nota sobre um novo Conselho. Oh Ambrósioooooo! Amobróooosioooo! Anda cá filho!

[um senhor baixinho emperucado, segurando muitos selos e resmas de papel aproximou-se solícito.]

N - Escreve aí Ambrósio: Criar o Conselho de Estudo de Convites para o Palácio Real... sim que ando a convidar gente a mais.

E - Mas o Secretário Real não era o Conde Vitor Pio?

N - Oh homem, você pensa que me lembro de toda a gente que nomeio? E eu lá os nomeio para que trabalhem? Acha que confio nalguém? Quero é que fiquem calados. Além disso o Ambrósio já está comigo há anos e faz tudo o que eu mando. É assim como o Syl.

[o pincher rosnou ao entrevistador ao ouvir o seu nome]

N - Cala-te Syl que dou-te uma medalhinha nova.

E - Realmente eu gostaria que Vossa Majestade explicasse os Conselhos forma mais clara, assim como se eu fosse uma criança de 6 anos...

N - Criança? Onde, onde? Eu adopto... crianças, crianças, e de 6 anos? Gosto, gosto! Onde? Onde?

E - Vossa Majestade, vou ignorar esse comentário. Falemos então do novo Conselho da Nobreza. Não vem colidir com o existente Conselho de Sintra?

N [exaltado] - Colidir? Colidir? Mas você não lê os regulamentos? Está tudo claro! O Conselho da Nobreza faz nomeações a pedido do monarca, e o Conselho de Sintra faz momeações após consular o monarca, por fim a Corte dos Nobres pede parecer ao monarca para indicar ao Conselho de Sintra uma opinião que depois passe pelo Conselho da Nobreza. Esta pode ainda sugerir revogações se tal for vontade do monarca, que as comunicará à Corte dos Nobres, que por sua vez a pedido do seu Presidente pedirá avaliação ao Conselho de Sintra, cujo Presidente, após consultar a Heráldica, avaliará. O Conselho de Sintra decide ainda na questão dos títulos, se tal for vontade do monarca, após ouvir a Corte dos Nobres a qual votará propostas a ser discutidas posteriomente no Conselho de Nobreza, a menos que sejam vetadas pelo monarca, altura em a Corte dos Nobres revogará uma decisão do Conselho de Sintra o qual em conjugação com o Conselho de Nobreza emitirá um parecer que o monarca enviará ao Presidente da Corte dos Nobres. É bastante simples.

E - Sim, agora que traduz por miúdos?

N - Miúdos? Onde? Eu adopto! Mas não me interrompa que não acabei... Depois há as questões heráldicas, que estão sob a alçada da Heráldica Portuguesa a qual é autónoma, respondendo apenas ao Conselho de Sintra, à Corte dos Nobres, ao Conselho da Nobreza e ao monarca. Quando o desacordo for total, usa-se o sistema de moeda ao ar. Moeda não, um escudo mesmo, que nem moedas temos.

E - Não seria mais simples Vossa Majestade não procurar ter todos esses poderes?

N - Ai que você me começa a parecer um rebelde. Amanhã mando aqui o Psycorps e fazemos deste jornal vila franca.

E - É por atitudes dessas que os seus críticos dizem que Vossa Majestade fala como se tivesse o rei na barriga.

N - Olhe, isso é uma grande incoerência. Rei sou eu, e rei na barriga, só se fosse a minha mãezinha, mas eu nunca a conheci.

E - É de facto um mistério esse da sua ascendência, pois parece que ascende de um outro Nortadas, que alguns dizem ser a mesma pessoa.

N - Claro! Eu sou aquele que é, que sempre foi e será. Gerado e não criado. Sempre existi e existirei.

E - Isto é, nasceu de mãe incógnita, e não acredita em sexo?

N - Oh homem, acha que se eu acreditasse em sexo, precisava de andar a adoptar as crianças dos outros?

[O guarda Antunes, chega ao local da entrevista com um ramo de flores que entrega a Nortadas]

E - Afinal, mesmo sem acreditar nessas coisas, parece ter admiradoras que ainda lhe enviam flores.

N [após ler o cartão] - Não! São flores do John_of_portugal, em mais uma tentativa para ser Marquês. O homem não desiste. Já se ofereceu para me beijar os pés, para me empoar a peruca, e para dar miminhos ao meu cão - muito gosta ele dos miminhos do meu Syl.

E - Então vossa Majestade é incorruptível, e não deixa que subornos comprem a sua influência?

N - Na verdade ele ainda não fez foi o que eu pedi. Se o fizer passa logo a Marquês.

E - E o que é isso?

N - Simples! Basta deixar-me adoptar a filha dele. Como eu gosto da Anne... crianças, crianças... adoro adoptar crianças! Adoro!

E - E quanto à famigerada constituição cujo último livro ainda não foi aprovado?

N - Bom, a Constituição foi escrita de modo a garantir que eu governaria com todos os poderes a que tenho direito. A partir do momento em que ninguém mais se me opôs, para que precisamos dela? Afinal um bom governador não necessita de papéis. Acha que Jah tem uma constituição a dar-lhe poder no céu? Use o bom senso homem! Eu nunca gostei de papeladas.

E - Não?

N - De papéis não. Gosto mais de decretos, éditos, regimentos, regulamentos, princípios, estatutos, leis, ordenações, capitulares, cartas, actas, deliberações, certificados, declarações, disposições, diplomas, contratos, tratados, procurações, apólices, acordos, regras, facturas, legislações, proclamações, mandatos, títulos, normas, guias, propostas, mandamentos, ordens, requerimentos, recibos, epístolas, autorizações, providências, concordatas, certidões, atestados, pareceres, promulgações, missivas. Mas de papéis gosto pouco.

E - Quer dizer-nos qual foi o momento mais difícil do seu reinado?

N - Um dia passei por Viseu e vi o Biagio. Vomitei logo. Foi um momento difícil. Fiz logo daquilo vila franca!

E - E para terminar, que mensagem quer deixar aos portugueses para o futuro.

N - A quem?

E - Aos portugueses, o seu povo, os habitantes deste reino!

N - Ah esses! Desculpe, para mim são todos ou mineiros ou rebeldes, tinha-me esquecido desse nome. Ora bem, digo-lhes: "Mal eu morra, procurem logo alguém muito muito parecido comigo. Será de certeza um senhor inteligente, carismático, com conhecimentos de tudo. Façam sempre o que ele manda, e verão que eu... perdão, que ele, vos guiará como um messias. Não pensem em política, vocês não percebem nada disso. Sigam esse senhor, sim?

[Um cheiro nauseabundo invade a redacção, e ouve-se outro jornalista, que olha desolado a sola do sapato coberta de uma matéria pegajosa castanha]

Outro Jornalista - Quem trouxe o raio do cão? Está a cagar isto tudo.

N - Queiram desculpar! Quando ele sente que eu estou a ser atacado, fica nervoso e não se controla. Anda cá Syl, só fazes porcaria, e depois eu é que tenho que limpar não é? Raios parta o cão, já não te dou o báculo de bispo para brincares!

[Nesse momento ouve-se uma voz fantasmagórica, e um vulto envolto num manto negro avança pela redacção.]

Fantasma - Uhuhuhuhuhuhuhuh!

E - Oh meu Jah que a nossa redacção continua assombrada. Será o fantasma da Milena?

F - Não, meu grande parvo, não vês que eu sou a morte? Venho buscar o Nortadas! Nortadas Chegou a tua hora, trago aqui o documento final que põe fim à tua vida. Vem comigo sem resistência!

N - Ora vejamos, o documento não está segundo a constituição, e a senhora morte nunca foi reconhecida como órgão de soberania nacional. E pior, onde estão selos certos aprovados pela Heráldica? Queira desculpar, mas a senhora morte é uma fraude. Se continuar com as ameaças mando-lhe o Psycorps e ele faz da morte vila franca. Ai faz, faz!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Cidadão do ano 1458

Sexta-feira, 31 de Dezembro de 2010

Chegado o final do ano de 1458 (a todos os que chegaram a esta página sem ser por RR, sim, 1458. Não estamos atrasados no tempo, vocês é que estão adiantados!) o Entrevistas Fictícias decidiu eleger o cidadão do ano. Existem inúmeros critérios objectivos e subjectivos de proceder a tal eleição. Recusámos todos! Demos a tarefa ao senhor que serve o leitinho quente na redacção, e ele que anda agora a aprender a ler, disse que a palavra que via mais vezes era "NORTADAS". Por isso elegêmo-lo Cidadão do ano 1458 (ao Nortadas, não ao senhor que serve os leitinhos).

Queremos com este prémio homenagear Dom Nortadas, por tanto ter contribuido par o humor em Portugal, e tanto ter dado que falar ao nosso jornal, de que prova ser um leitor atento. Caro Dom Nortadas, pode estar certo de que o prémio é inteiramente merecido!

Para celebrar este momento tão especial, e que tanto comove os nossos corações, vamos quebrar a nossa regra de ouro. Vamos, pela primeira vez no Entrevistas Fictícias, mostrar uma resposta VERDADEIRA de alguém. Trata-se de uma recente resposta do nosso galardoado a Dom Abraz. Repetimos, tanto a pergunta como a resposta são VERDADEIRAS. Deliciem-se:


Abraz - [...] Como o Conselho "afasta" um Prefeito de uma CP? À chapada, é isso?

Nortadas - À chapada? Óbvio que sim! Mas atenção, às segundas, quartas e sextas, é à paulada, isto se o Prefeito for mais magro que a Condessa, caso contrário é à cacetada. Se nesse mês já tiver chovido mais de dez dias, então aí já é à bastonada. No entanto, se a soma dos anos de todos os Conselheiros for par, reúne-se os anciães do Condado e o Prefeito é corrido à bengalada. Às terças, quintas e sábados, é à chapada, mas só se a semana tiver começado com dia ímpar. Se tiver começado com dia par e o Prefeito for mais alto que a Condessa, então junta-se uma multidão de camponeses em fúria para caçar o Prefeito. Mas calma, que só avançamos com isso se pelo menos quatro Conselheiros pernoitarem nos seus Gabinetes por três dias. Se a pernoita for superior a três dias, então é reunido um batalhão de Conselheiros armados para tratarem do assunto. Se a pernoita for inferior a três dias, o Prefeito terá de enfrentar a Condessa em fúria, que já vale por cem Conselheiros armados até aos dentes. Aos Domingos, chama-se um dos Exércitos do Condado para fazer uma visita ao Prefeito. Mas se a quantidade de campos de trigo na cidade for ímpar, os soldados vêm armados com espada. Se, pelo contrário, a quantidade for par, os soldados vêm armados com machados. Mas se a soma das idades dos habitantes da cidade for ímpar, os soldados vêm armados só com bastão. No entanto, se na cidade estiver o porco com o maior peso em todo o Condado, os soldados vêm armados com escudo também.



Divinal!!!! Só não damos nota máxima à resposta por ser óbvio plágio da resposta de Dom Duquezere, numa nossa entrevista anterior. Mas daqui endereçamos o convite. Dom Nortadas, quando quiser escrever para nós (sem salário, claro), tem aqui uma porta aberta.

PS: Não é a equipa do Entrevistas Fictícias que escreve os textos políticos de Dom Nortadas, mas bem que precisávamos de um part-time.

Para si, para os poucos que ama, para os muitos que odeia, e mesmo para aqueles que lhe são indiferentes, um bom ano de 1459!

Onde está o Norty?

Quinta-feira, 23 de Setembro de 2010

Como agradecimento ao nosso público fictício por continuar connosco durante esta ausência de entrevistas fictícias. Trazemos hoje, à falta de melhor, um pequeno passatempo.

Tendo o Conde Nortadas desempenhado todos os papéis que há no reino, de Conde a Conselheiro, passando por membro do Conselho Real, Chanceler, Juiz do RCJ, Prefeito, Mentor, Capitão de Porto, Maiordomus, Comandante do ERP, Membro do Conselho de Sintra, Artista da Heráldica, Chefe de Equipas de Fruta, Pesca e Lenhadores, Administrador do seu prédio, Fiscalizador de Rodas de Carroças, Chefe de Repartição do Centro de Emprego, Ladrão de Estrada, Bruxo, Criador do célebre "Acho muito engraçado", Mordomo de MilenaOrtiz, Coleccionador de Decretos, Injuriador-Mor do Reino, Rei dos Selos e Artista de Circo (muitos deles ao mesmo tempo, a maior parte criados por ele, e se ainda não foi alguns deles, acreditem que vai ser), o nosso futuro Rei Nortadas parece estar em todo o lado, todos o procuram, e nem sempre o encontram, pelo que a pergunta mais importante do reino é "Onde está o Nortadas hoje?"

A pensar nisso criámos para as criancinhas, velhinhos, e adultos sem nada melhor para fazer, o jogo:

Onde está o Norty?


[Clique AQUI para aumentar a imagem... se tiver coragem!]

Aviso: Dado o seu carácter tímido e discreto é possível que o personagem esteja muito bem escondido.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Os Condes em Junho de 1458

Sexta-feira, 4 de Junho de 2010

No número inicial entrevistamos os três condes em exercício no Reino de Portugal: Conde Nortadas de Coimbra, Conde Dardos do Porto e Condessa Micae de Lisboa.

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Conde Nortadas (Coimbra)

Nortadas - Acho muito engraçado que o senhor me faça essa pergunta, muito engraçado mesmo. Acha que é isso que vai ajudar o Condado?

Entrevistador - Mas caro Conde, eu ainda nem perguntei nada...

N - Lá vem você com teorias pseudo-intelectuais sobre a necessidade de fazer uma pergunta para obter uma resposta. Queira-me dizer, em que Decreto isso está? Na LOC? Na Lex? Na Constituição? Decerto em nada que tenha sido aprovado por mim, e acredite, se não foi aprovado por mim, então é inconstitucional!

E - Caro Conde, apenas queria algumas opinões suas acerca do actual estado do Reino de Portugal.

N - Acho mesmo muito engraçado que me pergunte a mim sobre o Reino de Portugal. O que tenho eu a ver com os estrangeiros?

E - Mas conde, nós somos parte integrante do Reino de Portugal.

N - Do modo como interpreto a nova Constituição é o Reino de Portugal que faz parte do Condado de Coimbra.

E - Mudando de assunto, quer comentar a sua nova proposta para que a administração do condado seja partilhada por mais pessoas que só os 12 conselheiros.

N - É simples e só um ignorante não entende. Se todas as pessoas do condado tiverem responsabilidades na governação, todas serão consideradas culpadas das asneiras que me imputam. Ora uma culpa dividida por 1000 pessoas é insignificante. Isto é, é impossível que eu venha a ter qualquer culpa importante daqui para a frente.

E - Podemos entender daí que tenciona ser Conde por muito mais tempo?

N - Oh homem, mas você já me viu fazer mais alguma coisa do que ser Conde? Acha que sei fazer mais alguma coisa? Não é claro que nasci para os decretos? Acho muito engraçado!

E - Podia-nos descrever o seu dia de trabalho?

N - Geralmente acordo às 5 atormentado por uma ideia nova. Corro aos Paços do Condado para a pôr em prática. Naquelas alturas do ano em que não sou Conde, não me deixam entrar, e aí resta-me o terrorismo institucional. Mas nos momentos do ano em que sou Conde escrevo logo um decreto. Pelas 8 já provoquei a fúria de pelo menos 6 conselheiros por lhes ter chamado incompetentes. Às 10 passo pelas cortes para ver se há algum assunto não começado por mim. Se há declaro-o inconstitucional. À tarde vou para casa empoar a peruca, e recitar discursos em frente ao espelho.

E - Sonha sempre com decretos?

N - Não! Às vezes sonho com o Conde Abraz. Sonho que sou atacado à cabeçada por aquela careca reluzente. Acordo com suores frios. Corro logo a abraçar a minha peruca empoada. As carecas deviam ser proibidas. aliás, deixe-me ir pôr isso em decreto... deixe-me ir, que isto esteve longe de ser uma conversa de produtividade inigualável.

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Condessa Micae (Lisboa)

Entrevistador - Cara Condessa Micae, em primeiro lugar obrigado pela sua disponibilidade em conceder-nos esta entrevista retirando algum tempo da sua ocupada age...

[silêncio enquanto a Condessa saíu e voltou]

Micae - Desculpe, mas enquanto fez essa longa introdução tive tempo de escrever duas cartas, chicotear um conselheiro, e assinar 4 decretos, queira continuar, se faz favor!

E - Mas condessa, passaram cinco segundos, conseguiu fazer isso tudo?

M - Nunca duvide do poder de inalar pimenta!

E - E podemos saber quem foi o conselheiro que chicoteou desta vez?

M - Na verdade foi o meu cãozinho, que estava a roer um dos meus vestidos. Chamei-lhe conselheiro, pois assim posso ter ao menos um conselheiro fiel, que sabe ouvir calado, obecece a uma ordem, e não me morde quando menos espero.

E - Imagino... Mas, adiante, como descreve este tempo à frente do Condado de Lisboa?

M - Estar à frente é uma posição muito ingrata, começamos sempre a perguntar-nos quem estará a trás, e com que intenções.

E - Os conselheiros queixam-se da sua autoridade. Diz-se que nas reuniões do conselho proibe os conselheiros de dormir, de mexer nos dedos dos pés, ou até de atirar bolas de papel uns aos outros feitas a partir de decretos por aprovar.

M - É mentira que eu seja autoritária. Não volte a dizer isso! E sente-se direito enquanto faz perguntas! E arranje esse colarinho que está uma vergonha!

E - sim condessa, desculpe... É verdade que pratica dardos num alvo com o rosto da Baronesa Velentina?

M - Só às segundas-feiras. Nos outros dias da semana os alvos mudam. Ainda ontem o meu marido me ofereceu um alvo com o rosto do Reverendo Martimen, estou ansiosa para o experimentar.

E - Mas com toda a energia que se lhe reconhece, porque não a vemos mais vezes a liderar um exército?

M - Já tentei, mas o fumo vermelho que me sai da cabeça quando estou furiosa denuncia a posição de todo o exército. Já como Diaconiza esse rubor dá uma iluminação agradável à igreja, e o fumo substitui o incenso, o que até diminui as despesas do Condado.

E - Dado o saldo negativo que ainda se regista em Lisboa quer adiantar-nos se a aplicação de impostos está a resultar?

M - Tem sido insuficiente porque alguns prefeitos não sabem como os aplicar, mas agora temos um método de persuação implacável. Vou mandar a Baronesa Velentina recolher os impostos pessoalmente. Quem não pagar terá de ouvir os provérbios dela.

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Conde Dardos (Porto)

[Entrevista obtida através do muro do convento de Bragança]

Entrevistador - Conde Dardos, quer comentar porque razão entrou em retiro espiritual assim que foi reeleito Conde?

Voz do outro lado do muro [cantando] - O ignis spiritus paracliti...

E - Seria possível responder em português? Os seus eleitores querem saber se ainda voltará antes do final do mandato.

V [ainda cantando] - O spiraculum sanctitatis...

E - Está aí alguém que fale português?

V - Bom dia, quem é o senhor?

E - Disseram-me que podia entrevistar o Conde Dardos se estivesse junto ao muro do convento no terceiro carvalho a contar do riacho.

V - Conde Dardos não conheço. Aqui não há Condes, somos todos irmãos.

E - Nesse caso sabe-me dizer como posso encontrar o irmão Dardos?

V - Oh homem, porque não disse logo? O irmão Dardos sou eu. Isso do Conde é que me baralhou. Sabe, não me lembro de nada da minha vida mundana.

E - Nem se lembra dos motivos que o levaram a abandonar os Paços do Condado?

V - Os passos de quem? Homem, fale em latim, que eu dessa língua secular não percebo muito!

E [inventando] - Lembraris niet vita sua comus Condae?

V - Ahhh isso?... Não, não me lembro. Fui eleito foi?

E - Foi sim, e abandonou logo de seguida.

V - Em latim se faz favor.

E [inventando] - Electoratus foste, sed abandonatis in quel momentum.

D - Desculpe senhor, mas não entendo uma palavra dessa língua de cão. Porque não fala antes com um monge a sério. Eu aqui só limpo as latrinas.

E - Mas eu preciso de entrevistar o Conde eleito.

D - E eu preciso de uma pá nova que esta já tem buracos. Passe bem!